sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Como manda o figurino

Encenadores marcantes da história de evolução do teatro, muito contribuíram para a evolução do papel do figurino em relação à sua criação, ao trabalho intríseco do ator e como parte fundamental da cena envolvida num plus de luzes, espaço, música e ação.

Eis aqui alguns deles:
  • Apia: O pioneiro suíço teve pouco contato prático em sua vida com o mundo teatral, embora suas idéias tenham influenciado os criadores que o seguiram. Ele percebeu os limites da encenação bidimensional e as possibilidades de se reunir as artes por meio de um jogo de luzes, formas e cores. O que ele desejava era redirecionar o teatro, trabalhando-o como uma obra de arte viva que reúne todas as outras para atingir os espectadores.
  • Bertolt Brecht: Para o alemão, nada deveria estar em cena se assim nao merecesse. A simplificação era a palavra de ordem. Uma simplifcação sofisticada, tenho dito. Se você vir um traje de uma peça de Brecht, pode até pensar que possa ser feito em casa. Porém, é sofisma. Pois, em suas criações sempre havia um planejamento cuidadoso, de meses, para que uma roupa tivesse a textura ou a cor que procurava para seus personagens. A razão disso? Está nas palavras de seu grande parceiro de cenografia: "Copiar a realidade não é suficiente; a realidade precisa não só ser reconhecida, mas também entendida". Daí, por exemplo, todo o significado da colher que a protagonista de Mãe coragem carrega no bolso de seu figurino. O traje de um personagem brechtiano não é um traje literal. É uma linguagem que a roupa fala com o homem, as memórias, as misérias, as lutas que caíram sobre ele.
  • Ariane Mnouchkine( diretora do Thêátre du Soleil): Considera os figurinos "como seus amigos". "Trate bem deles. Eles são seus inimigos se são malfeitos, se não ficam bem juntos. A pele pura é difícil de usar com máscaras", costuma dizer a francesa.

Por fim, deixo as palavras de nada menos que o ator e diretor teatral Stanislavski:

"Quando vocês tiverem criado um papel, saberão o quanto a peruca, a barba, as roupas são importantes para um ator criar um personagem. Um traje deixa de ser uma coisa simples e adquire, para o ator, uma espécie de dimensão sagrada", escreveu o russo.

Muita unção e poder de Deus.

Até breve,

Melissa Malard.

Um comentário:

  1. Muito bom Malard... Muito interessante! Valeu a contribuição. Bjus

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